Flamengo luta contra a dor

BRASIL 10/02/19 3:36
Por Nuno Perestrelo

Odia seguinte à tragédia que matou 10 jovens entre os 14 e os 16 anos no centro de treinos do Flamengo, o Ninho do Urubu, ficou marcado pela dor profunda que atingiu não só o clube mais popular do Rio de Janeiro, mas todo o país. Enquanto as homenagens se sucedem - até Pelé já se manifestou - uma em particular tocou ontem o coração dos brasileiros: a de Abel Braga, 66 anos, que em Portugal treinou Rio Ave, Famalicão, Belenenses e Vitória de Setúbal e é atualmente o responsável pelo Fla.


Num vídeo difundido através da sua conta de Instagram, o treinador encarnou a dor das famílias dos jovens, de quem foi capaz de colocar-se na pele… Referindo-se a um dia trágico, falou com emoção: «Acordámos numa cidade sem clubes, sem equipas, e com uma solidariedade enorme para com esses meninos e com o Clube de Regatas Flamengo. Uma dor enorme, porque ao chegarmos ou ao sairmos dos treinos, todos os dias, víamos aqueles sorrisos, daqueles meninos, a tirarem fotos comigo e como atletas. Víamos começar um sonho, que lamentavelmente foi interrompido. Condolências, sentimentos e dor, sei exatamente o que é isto».


Abel Braga referia-se à morte do filho, João Pedro, que caiu da janela do WC e morreu, em 2017.


No regresso da equipa principal aos treinos, o treinador voltou a emocionar-se, e a emocionar os jogadores. De luto, a equipa juntou-se num ginásio, o grupo fez uma oração e o treinador falou, referindo-se de novo à tragédia que marcou a sua vida familiar.


Por respeito às vítimas e também como forma de manter o grupo resguardado, foi realizado apenas um treino ligeiro no ginásio e sem bola. O treino de hoje foi cancelado e só amanhã a equipa vai começar a preparar o jogo das meias finais da Taça Guanabara, com o Fluminense.
 

Dois fora de perigo


Enquanto o clube investiga a causa do incêndio que matou os 10 jovens, o hospital Vitória, da Barra da Tijuca, informou ontem que dois dos jovens internados, Cauã Emanuel, 14 anos, e Francisco Diego, 15, estão livres de perigo, apesar de terem inalado muito fumo.